Os coronavírus são uma família grande de vírus, mas só era sabido que seis deles afetavam os humanos. Com esse novo vírus, agora são sete. Um desses causa a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) que, em 2002, matou 774 pessoas na China. O novo vírus é chamado de 2019-nCoV. Isso é uma sigla, em inglês, para o ano em que ele surgiu. O "n" vem de novo e o "CoV" de coronavírus.

A princípio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha dito que o risco global era moderado. Mas ela foi bastante criticada e disse que errou na classificação e passou a classificar o problema como de risco elevado.

O risco é baseado na gravidade da doença, na velocidade em que ela é disseminada e na capacidade de combatê-la. Com o avanço do vírus, essa classificação sofreu uma nova mudança. A OMS declarou, nessa quarta-feira, que o coronavírus é uma pandemia.

De acordo com eles, o número de pacientes infectados, de mortes e de países atingidos pode aumentar nos próximos dias ou semanas. Mesmo com essa mudança de gravidade, os diretores dizem que as orientações não mudam. Os governos têm que continuar com seu foco na contenção do vírus.

Pandemia

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O termo "pandemia" é usado quando uma doença está espalhada em vários continentes e é transmitida entre pessoas. O ritmo de disseminação do vírus aumentou. E os primeiros casos, em metade dos países atingidos, foi descoberto nos últimos 10 dias.

De acordo com a OMS, na China o número de casos aumentou 13 vezes. E triplicou o número de países afetados. Em todo mundo, são mais de 118 mil casos e 4.291 mortes.

"A declaração de uma pandemia não é como a de uma emergência internacional. É uma caracterização ou descrição de uma situação, não é uma mudança na situação. Não é hora para os países seguirem apenas para a mitigação", explicou Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências da OMS.

Essa mitigação que Ryan fala é uma estratégia de saúde pública que tem como objetivo cuidar dos doentes e dos grupos de risco prioritários. A OMS ainda acredita que conter o vírus precisa ser uma ação buscada por todos os países. E isso deve ser um dos pilares das ações a serem feitas.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que essa mudança já era esperada e que não muda nada para o Brasil, em termos práticos.

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"Acho que a OMS demorou para decretar pandemia. Lá atrás, nós já tínhamos decretado emergência sanitária de interesse nacional", ressaltou.

"Nós já temos casos confirmados dentro do país, temos transmissão local, não temos ainda transmissão sustentada. Essa pode ser a próxima etapa. E a cada etapa temos medidas adicionais que vão sendo decretadas", continuou.

Ações

Antes da pandemia ser declarada, os brasileiros, que voltavam de viagem da África e América do Sul, não eram considerados suspeitos. Mas agora, de acordo com Mandetta, os casos suspeitos serão investigados, independente do lugar do exterior que as pessoas estejam voltando.

Mesmo com a nova classificação, os diretores da OMS dizem que ainda é possível diminuir os impactos e disseminação do vírus.

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"Quando dizemos que a situação é de pandemia, não estamos dizendo que o mundo deve sair da contenção para a mitigação. Não estamos. Seria um erro abandonar a estratégia de contenção", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

"Esse é o primeiro coronavírus a ser chamado de pandemia, mas também acreditamos que será o primeiro a ser contido ou controlado", continuou.

Tedros disse que os países devem planejar respostas nas áreas chaves. São elas: detectar, proteger, tratar, reduzir a transmissão, inovar e aprender.

"Pandemia não é uma palavra para ser usada de maneira leviana ou descuidada. É uma palavra que, se mal utilizada, pode causar medo irracional ou aceitação injustificada de que a luta acabou, levando a sofrimento e morte desnecessários", concluiu.

Publicado em: 11/03/20 16h51