O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, está centrado em uma questão mundial. Ahmed visa combater os efeitos do desmatamento e as mudanças climáticas na Etiópia, um dos países mais propensos à seca. De acordo com a ONU, a Etiópia perde 35% da área total de sua cobertura florestal no início do século 20. Em relação à proporção do país, menos de 4% do território da Etiópia é coberto por florestas hoje. No final do século 19, a cobertura de florestas chegava a 30% do território do país. Na época, a Etiópia já tinha 105 milhões de habitantes.

Para mudar tal cenário, o país decidiu plantar mais de 353 milhões de árvores. O movimento aconteceu no início desta semana. E a ação foi considerada pelas autoridades do país como um exemplo que deveria ser seguido mundialmente. A campanha de reflorestamento, conhecida como "Green Legacy" (Legado Verde), foi promovida pelo próprio ministro. Milhões de etíopes participaram do movimento em diversas regiões do país.

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Funcionários das Nações Unidas, da União Africana e de embaixadas estrangeiras na Etiópia também fizeram questão de participar. O ministro de Inovação e Tecnologia do país, Getahun Mekuria, divulgou pelo Twitter que 353.633.660 mudas de árvores foram plantadas em doze horas. A Etiópia é um dos 28 países africanos que se comprometeram a restaurar um total de 100 milhões de hectares de florestas, até 2030. A ideia do país é seguir buscando obter segurança alimentar e aumentar a resistência do país às mudanças climáticas. Em 2016, o país prometeu restaurar 15 milhões de hectares de suas florestas nesse período.

O atual recorde mundial de plantio é da Índia, que utilizou 800 mil voluntários para plantar mais de 50 milhões de árvores, em 2016. Em contrapartida ao movimento, críticos defendem que o ministro esteja usando a ação como uma maneira de distrair o público dos desafios que seu governo está enfrentando. Um dos desafios enfrentados envolvem conflitos étnicos que forçaram cerca de 2,5 milhões de pessoas a deixar suas casas.

Por outro lado, a iniciativa pode ser uma das principais armas para combater os efeitos das mudanças climáticas. De acordo com recentes estudos, as restaurações florestais é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os gases do efeito estufa na atmosfera.

Dados

Ainda há espaço para mais 0,9 bilhão de hectares de cobertura florestal no planeta. E sabe o que é o melhor de tudo? Isso pode acontecer sem afetar as áreas urbanas, terras agrícolas e árvores já existentes. A informação foi publicada pela revista Science neste mês. O artigo, baseado no estudo coordenado por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça), informou também que a área pode ser comparada mais ou menos ao tamanho dos Estados Unidos.

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Essa cobertura adicional poderia remover 205 bilhões de toneladas de carbono da atmosfera. O valor equivale a cerca de dois terços das 300 bilhões de toneladas de carbono que os seres humanos colocaram na atmosfera desde o início da Revolução Industrial. O esforço da Etiópia desta semana pode ter restaurado entre 140 mil e 350 mil hectares de terras.

As árvores são consideradas as melhores reguladoras do clima no planeta. Depois que elas morrem, parte do carbono volta para o ar e parte fica no solo. Com o passar do tempo, isso leva a uma redução líquida do carbono na atmosfera. O que é maravilhoso pra gente.

Publicado em: 01/08/19 14h56