Câncer é o nome dado a um conjunto de centenas de mutações patológicas que acometem pessoas em todo o mundo. Essas doenças são causadas por um crescimento de células anormal e fora do controle, que tomam conta de tecidos e órgãos. Quando não é tratado, esse crescimento celular exagerado pode ser fatal.

Durante vários anos, os pesquisadores buscam as melhores formas de conseguir detectar um câncer. Preferencialmente, um exame que consiga descobrir uma neoplastia logo nos primeiros estágios antes que as células comecem a migrar para outros lugares no corpo. Porque é nesse momento que os tratamentos funcionam melhor.

E de acordo com uma publicação da revista "Nature Communications", um exame de sangue experimental chegou perto desse resultado. Com um único exame de sangue foi possível diagnosticar o câncer bem antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

“O que mostramos é: até quatro anos antes dessas pessoas entrarem no hospital, já existem assinaturas no sangue que mostram que têm câncer. Isso nunca foi feito antes”, explicou Kun Zhang, bioengenheiro da Universidade da Califórnia, San Diego, e co-autor do estudo.

Método

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Os estudos para criar os novos exames de sangue para o câncer usam, geralmente, amostras de pessoas que já sabiam que tinham a doença. Com isso, é feita a criação dee ames tão bons quanto os existentes, mas não melhores.

A nova abordagem de Zhang e sua equipe coletou amostras de voluntários antes que eles apresentassem sintomas de câncer. Eles tem recrutado mais de 123 mil pessoas saudáveis, desde 2017, em Taizhou, na China. Os voluntários passam por check-ups anuais. Ao todo, foram mais de 1,6 milhão de amostras armazenadas. E cerca de mil dos voluntários tiveram câncer nos 10 anos seguintes.

Tipos detectados

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O foco que os cientistas tiveram na criação desse exame de sangue foi que ele pudesse detectar os cinco tipos mais comuns de câncer. São eles: neoplasias do estômago, esôfago, colorretal, pulmão e fígado.

O exame foi chamado de PanSeer e detecta padrões de alterações químicas no DNA, chamada de metilação, onde um conjunto químico é somado ao código genético mudando sua atividade. Segundo mostram outras pesquisas, a metilação anormal pode ser um sinal de vários tipos de câncer que também incluem câncer de pâncreas e cólon.

"O foco imediato é testar pessoas com maior risco, com base na história familiar, idade ou outros fatores de risco conhecidos", ressaltou Zhang.

O PanSeer isola o DNA do sangue. E mede a metilação do DNA em 500 lugares, já conhecidos como sendo indicadores de câncer. Então, um software de inteligência artificial faz um compilado das descobertas em uma pontuação que vai indicar a probabilidade da pessoa desenvolver ou não um câncer.

Os cientistas fizeram esse exame em 191 voluntários que chegaram a ter câncer. E a doença foi detectada quatro anos antes dos pacientes mostrarem sintomas. A precisão do exame também foi bem alta, foi de 90% certo e 5% de falsos negativos.

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Futuro

Para que esse exame seja totalmente confiável, ainda é preciso a realização de novos estudos. “Existem cânceres em que a detecção precoce pode fazer uma diferença muito grande”, afirmou Zhang.

Publicado em: 23/07/20 14h24