Principalmente na Europa, grande parte do acervo de seus museus é composto por arte colonial espoliada. Ou seja, arte que foi tirada das colônias europeias e nunca chegou a ser devolvida. Dito isso, muito se questiona sobre o que aconteceria se os museus europeus precisassem devolver obras de arte aos seus lugares de origem.

De acordo com Raquel García Revilla e Olga Martínez Moure, da Universidade à Distância de Madri (Udima), estamos falando de obras roubadas ou saqueadas. "Sabe-se que muitas coleções do Louvre, do British Museum e muitos outros museus europeus se nutriram de obras que inicialmente não pertenceriam a eles", afirmam as especialistas em patrimônio cultural em entrevista a Verne.

Qual é a forma mais justa de lidar com um acervo que foi roubado ou saqueado?

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Peguemos o Museu Britânico, em Londres, por exemplo. Dessa forma, dar uma volta pelo museu é como dar a volta ao mundo em algumas horas. Atualmente, o museu é um dos lugares mais visitados do Reino Unido. No entanto, as seções mais populares do museu não são do Reino Unido. Na verdade, elas vêm do Egito, do Iraque ou da Grécia antiga. Com isso, para responder nossa questão, podemos dar uma olhada em algumas atitudes que alguns museus já estão tomando.

Hoje, o museu Rijksmuseum, de Amsterdã, está planejando resolver o espólio colonial no Sri Lanka. Em outro exemplo, a Indonésia devolvendo as peças de sua coleção que foram roubadas ou saqueadas. Mas, afinal, o que é o certo a se fazer? Para o arqueólogo Sam Hardy, esse ajuste de contas é extremamente importante. "A retenção de antiguidades que foram extraídas mediante expedições de punição é uma intolerável perpetuação da violência colonialista", afirma Hardy.

Há décadas, a Grécia reivindica mármores e estátuas do Partenon de Atenas e que se encontram no Museu Britânico. Desse modo, o museu está seguindo um caminho contrário se compararmos com as atitudes de outras instituições.

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O que outros países pensam sobre o caso?

Em 2018, o Governo da França devolveu dezenas de peças de arte africana expostas por museus de todo o país. Assim, países como Mali, o Benim, a Nigéria, o Senegal, a Etiópia e o Camarões, em breve receberam as obras de volta. Porém, ainda há muito mais a ser devolvido. No caso do Museu Britânico, as obras gregas foram levadas pelo Lord Elgin no século XIX. Na época, ele arrancou parte do friso grego, levou para o Reino Unido e o vendeu para o Governo. Desde então, a peça tem sido disputada entre os museus europeus.

Em outro exemplo, a Colômbia solicita a devolução do tesouro Quimbaya, que foi dado como um presente do presidente Carlos Holguín para a rainha María Cristina em 1893. No entanto, o país afirma que o presente foi dado de maneira ilegal. E claro, como era de se esperar, as reivindicações não param por aí. Angola pede a solicitação de obras a Portugal, Egito a Alemanha, Áustria ao México, entre outros países.

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Para Sam Hardy, é válido lembrar que esta não é apenas uma prática do passado. "As redes criminosas e as máfias estão explorando o caos para saquear e roubar. Grupos armados estão saqueando peças e contrabandeando-as para financiar a compra de armas ou diretamente para trocá-las por elas", afirma Sam. Por isso, é preciso voltar o nosso olhar para o espólio colonial.

Publicado em: 14/11/20 23h03