Adaptada na história em quadrinhos homônimaThe Boys é uma série original do Amazon Prime Video e acompanha uma disputa entre civis e super-heróis. Já imaginou como o Superman e a Mulher-Maravilha seriam no mundo real? Certamente, continuariam sendo visto como deuses. No entanto, isso não significa que eles não enfrentariam os mesmos problemas que nós, reles mortais. Insegurança, vícios, corações partidos e medo são algumas das vulnerabilidades encontradas até mesmo nos chamados "super". Contudo, em um mundo onde não há leis para eles, os problemas desses super-seres acabam se tornando os nossos. Aí entra um grupo de voluntários que lutam contra esses indivíduos superpoderosos que abusam de suas habilidades. Em suma, essa é uma descrição da trama de The Boys.

Após muitas espera e expectativas, a série finalmente está apresentando sua segunda temporada com episódios semanais. Apesar da primeira temporada ter sido lançada de uma vez, Eric Kripke, responsável pela adaptação, disse que lançar os episódios com um espaço de tempo ajuda os espectadores a lidarem melhor com a quantidade de informações apresentadas. Bom, não podemos dizer que discordamos. Aliás, se você está interessado em começar The Boys ou já assiste e se interessa pela discussão apresentada na série, reunimos aqui alguns detalhes essenciais sobre a mesma.

Conta com o mesmo criador de Supernatural

The Boys é uma adaptação da série em quadrinhos homônima criada por Garth Ennis. Ao passo que a narrativa original é extremamente subversiva e, por vezes, polêmica, seria preciso alguém criativo e destemido para comandar a produção no Prime Video. Pois bem, Eric Kripke, criador de Supernatural, assumiu a responsabilidade. Embora ambas histórias abordem temáticas diferentes, Kripke conseguiu aplicar sua assinatura em The Boys e seu trabalho vem se mostrando incrivelmente notável. Visto que o principal destaque de Supernatural é a ligação entre seus dois protagonistas, em The Boys não é diferente. Contudo, ao invés de dois personagens principais, contamos com suas equipes rivais que protagonizam um disputa ideológica. Por fim, Kripke já se mostrou um grande fã do trabalho de Ennis e, talvez por isso, The Boys tem sido um sucesso incomparável.

O conteúdo é super explícito, mas poderia ser pior

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Embora seja um enorme fã das HQs, Kripke sabe selecionar muito bem o que ficaria bom ou não nas telas. Visto que o conteúdo da obra de Ennis é explicitamente chocante, essa é uma habilidade essencial para que The Boys continue abordando temáticas pesadas de uma forma digerível. É comum as pessoas acharem a produção apelativa ou violenta demais, mas acredite, poderia ser pior. O trabalho de Ennis pode até se passar em um universo fictício, mas seu principal objetivo é expor a hipocrisia e os absurdos presentes em instituições, crenças e símbolos que a sociedade abraça carinhosamente. Sendo assim, estamos falando de críticas não apenas aos super-heróis, mas qualquer elemento exaltado cegamente, como a religião por exemplo. Entretanto, as maneiras como Ennis projeta essas críticas seriam gráficas demais para a TV. Felizmente, Kriple sabe filtrar o conteúdo sem abandonar a essência da ideia.

Civis x Super-heróis

Apesar de nos quadrinhos o grupo de civis liderados por Billy Butcher acabar se rendendo ao Composto V para ficar pau a pau com seus oponentes, na série eles permanecem sem utilizar o mesmo, até então. Embora exista a possibilidade disso mudar com o tempo, atualmente essa decisão acabou se mostrando assertiva. Ao passo que acompanhamos diversas pessoas sem habilidades extraordinárias combatendo uma ameaça incomparavelmente maior, é fácil nos identificamos com The Boys. Além disso, essa falta de poderes é acompanhada por uma vulnerabilidade e risco de morte iminente. Sendo assim, tal qual Game of Thrones, The Boys pode matar um personagem querido a qualquer momento. Apesar disso estar longe de ser agradável, não deixa de prover adrenalina aos espectadores.

Personagens complexos é algo que, definitivamente, não falta

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Mesmo buscando ao máximo se manter fiel ao trabalho de Ennis, Kripke não deixa de tomar liberdades criativas que dão uma maior autenticidade ao programa. Como resultado disso, além da vastidão de complexos personagens criados por Ennis, também contamos com figuras originais apresentadas por Kripke. Além disso, mais uma vez usando Game of Thrones como exemplo, assim como a narrativa de George R. R. Martin, The Boys conta com personagens incrivelmente bem elaborados. Portanto, do protagonista ao figurante, cada uma das figuras apresentadas tem uma história de fundo que poderia ser explorada. Esse detalhe ocasiona uma infinidade de possibilidades para a série e Kripke está sabendo desenvolver isso muito bem.

Tem uma super-nazista na série

Enquanto acreditávamos que a primeira temporada havia sido suficientemente chocante, a produção de The Boys chegou com uma segunda leva de episódios mostrando que consegue se superar. Sendo assim, se Homelander parecia ser insuperavelmente detestável, Stormfront chegou provando que não há nada que não possa piorar. Interpretada por Aya Cash, a "super-heroína" conta com características semelhantes as de Thor, como super-força, habilidade de voo e controle de raios. Contudo, ao contrário do queridinho da Marvel, Stormfront é uma nazista. Embora ela não tenha se autodeclarado assim, suas ações comprovam que, assim como sua contraparte nos quadrinhos, ela é intolerante e defende uma supremacia branca. Só para ilustrar o quanto essa figura é terrível, Homelander consegue até parecer agradável perto dela. Aliás, a mesma foi definida com o "pior pesadelo" do líder dos Sete.

Há muita história a ser explorada

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Embora Kripke já tenha afirmado que não estenderá The Boys para além do necessário e que já tem um final planejado em sua cabeça, certamente essa decisão não foi tomada com base na falta de conteúdo original. Ao contrário de Game of Thrones, os roteiristas da produção da Amazon não ficariam desamparados nesse quesito. Existe uma vastidão de abordagens narrativas que The Boys poderia explorar. Além da já citada complexidade por trás de cada personagem, as HQs apresentam eventos que poderiam ser estendidos por temporadas. Desde a utilização de super-heróis na Segunda Guerra Mundial até atuais experimentos da CIA com os mesmos, histórias não faltariam.

Existem mais reviravoltas do que podemos imaginar

Independente da extensão almejada pela produção da série, The Boys não deixará a desejar no quesito reviravoltas. Isso é algo que vem se mostrando constante no programa e confiamos em Kripke para continuar sustentando esse recurso. Só para ilustrar, no final da primeira temporada fomos surpreendidos pela notícia de que uma personagem dada como morta, estava viva. Essa mudança narrativa mudou significativamente a direção que esperávamos para o enredo, sem tirá-lo completamente dos trilhos. Então, se você pretende assistir The Boys, se prepare para grandes revelações. No entanto, tenha em mente que sempre pode aparecer algo ainda mais surpreendente.

Publicado em: 15/09/20 11h56